Depois de um longo dia de trabalho, por vezes só nos apetece chegar a casa, vestir roupa confortável e relaxar. Seja pela comodidade ou até por questões de higiene, os sapatos ficam à porta e, entre paredes, quem manda são os chinelos ou as pantufas, nos meses frios. No entanto, embora a escolha pareça inofensiva, esse gesto simples pode estar a afetar a saúde dos pés.

Os sapatos que normalmente são utilizados em casa podem facilmente tornar-se num problema, seja qual for a idade. E quem o confirma é Miguel Vila Pouca, podologista do Centro Clínico Andar, em Lisboa. “Os chinelos e as pantufas não oferecem muito suporte ao pé e isso, muitas vezes, pode levar a alguns problemas que depois têm muitas vezes repercussões para a questão dos joelhos, da anca e da coluna”, frisa o médico.
Miguel Vila Pouca acrescenta que muitos destes produtos “têm solas finas e não absorvem muito bem o impacto.” Além disso, a grande maioria não tem material aderente. Como resultado, é mais fácil sofrermos quedas.
Além da estabilidade reduzida, o profissional refere que existe um conjunto de patologias muito comuns que podem surgir devido a este tipo de calçado, como distensões musculares, tendinites e fascite plantar (uma inflamação no pé).
“Estamos habituados, por exemplo, a andar calçados durante quase 10 meses do ano e depois, quando chega a altura do verão ou quando estamos de férias, temos a tendência a calçar chinelos. Aquilo não oferece suporte ao pé, é como se fosse uma tábua rasa”, aponta.
Além dos problemas musculares que podem surgir, existem também os dermatológicos, como as feridas. Miguel Vila Pouca aponta que muitos calçados acumulam humidade e acaba por haver uma predisposição para o desenvolvimento de bactérias.
Uma das melhores soluções, segundo o podologista, é andarmos com calçado adaptado ou até mesmo descalços (quando estamos em casa) com maior frequência. Mas atenção: a recomendação só deve ser seguida por quem não tem “grandes alterações a nível dos pés ou a nível da marcha.”
“As pessoas podem usar chinelos ou pantufas, mas que sejam mais adaptadas ao pé, que é uma coisa que é difícil de arranjar”, sublinha. “Há algumas marcas no mercado que começam a trabalhar nesse sentido, com calçado que dê mais estabilidade e que permita aos pés respirar, mas ainda é uma questão que se me perguntarem a mim qual é a marca, onde é que eu posso ir comprar, não é nada que esteja propriamente disponível com facilidade. Existem algumas soluções, mas são muito precoces.”
Neste caso e com poucas opções de solução à vista, o podologista salienta que é aconselhável usarmos sapatilhas que nos possam dar uma maior estabilidade.
“Depende muito de pessoa para pessoa”, refere. “Se é uma pessoa mais idosa, que já tem algumas limitações na mobilidade, não pode ter uma sola muito rígida, tem que ter alguma altura, mas também não pode ser uma sola que lhes causa atrito a andar”, aponta.
No caso dos jovens adultos, por sua vez, o profissional afirma que, normalmente, há uma maior tendência para utilizarem Havaianas, que também “não é muito recomendável”. “Como não dá suporte, nem estabilidade, é muito comum acontecerem tendinites e fascites plantares. É como tudo na vida, as coisas têm que ser muito com medidas.”
Além de apostar em calçado adequado, o podologista salienta que é necessário ter outros cuidados diários com os pés, sobretudo aqueles ligados à higiene. “Temos de lavar e secar bem os pés, para não ficar com nenhuma humidade; senão, depois, com o calçado fechado, podemos ter alguma predisposição para desenvolver algumas infecções da pele e das unhas.”
No caso de doentes com outras patologias, como os diabéticos, o profissional alerta ainda para as alterações na pele. Além de estarem atentos à higiene dos pés, precisam ainda ter atenção ao surgimento de feridas ou calosidade que possam desenvolver-se para complicações mais graves. “É como tudo na vida, as coisas têm de ser muito com medidas.”




